domingo, 20 de maio de 2012

ENSAIO


É feito tivéssemos á frente de uma lareira, sorvendo goles de conhaque, entre riso e muita conversa. Sou eu a aluna metralhando o mestre com perguntas tolas. É ele o mestre metralhando a aluna com perguntas as quais disfarço saber responder.

Seguiu-se a madrugada, cantada por Bob Dylan e Moska, os quais eu e ele temos escutado respectiva e compulsivamente. Ele gosta da voz cheia de lamento do Dylan. Eu vivo um caso de amor intenso com o Moska.

E no meio da madrugada surge a poesia, como se em alguma fagulha de tempo o houvesse abandonado. Cito Augusto dos Anjos após me deparar casualmente com ele pela rede afora. Ele gosta. Gostou ainda mais na adolescência, onde devorava, faminto, os poemas do sujeito que teve tão pouco tempo para pichar versos cortantes nas paredes do mundo. Preferi não pesquisar mais sobre o poeta, pelo menos não por enquanto. Nas horas das suas explanações é onde embarco, sem prévia passagem de volta, para o inebriante mundo da poesia.

Madrugada estampada. Música, poesia, Moisés Poeta e eu, compomos um breve e prazeroso ensaio.

E daqui a pouco, nos bate à porta, o Sol. Beijos!




segunda-feira, 30 de abril de 2012

BRASILEIRÍSSIMO MOÇAMBICANO



SURREAL_MENTE


Quando sem querer ele começou a poetizar, não sabia que umas asas transparentes lhe haviam já nascido faz meses...

Foi só quando naquela noite em que choveu uma chuva feita de lágrimas de fel, que no desespero de não se querer molhar, ele percebeu que voava...

O anseio de não ser triste deu-lhe o impulso que faltava e saindo a voar aos tropeções borboleteou sem consciência da metamorfose que o tomara...

Era a mais linda borboleta feita de reclusão e introspecção, voava se afastando da floresta ácida, desses troncos retorcidos de tanta insensatez...

Cortara os dedos enquanto construía o seu voar e as feridas haviam cicatrizado deixando seu tacto mais sensível à pele.

Agora, aqueles cuja pele seus dedos tocassem, simplesmente se converteriam a tanta sensibilidade palpável...

Em estado de espanto passava agora rasando as copas das acácias floridas;
os pardais e os chiricos em sobressalto abriam os bicos incrédulos, não porque tivessem sede, mas perdidos de admiração.

A poesia derramava-se no horizonte em cores vivas e as rimas essas estavam dispersas, mas para ele o que contava era a leveza de sentir o momento todo seu...

A vida cantada soava nos seus ouvidos como um concerto de flautas...
A brisa batendo-lhe de frente fazia que seus olhos se achinassem, e sorrindo sibilava...


(Tony Manna)




O texto acima é dele. A postagem original, lá no Melomaniako, era musicada por quatro vídeos de música brasileira, pelo qual o moço é apaixonado. Às vezes penso que ele é mais brazuca do que eu... Subverti a montagem do post escolhendo outra canção e o desafio a dizer que já havia escutado. E agora, Senhor Tony? Zé Ramalho e Moska (o segundo, por quem nutro amor incondicional) cantam para você. Apenas se deixe levar... Apenas viaje. Quero dizer da imensa alegria que é compartilhar música, palavra, afeto, amizade contigo. Obrigada!




sexta-feira, 20 de abril de 2012

POESIA + MÚSICA = DELEITE

AINDA


Te quero por perto
Deus sabe por quantos
motivos, pra quantos
segundos e séculos
possível for

Te quero me vendo
me ouvindo, falando
sentindo, tocando
se dando, me tendo
fazendo amor

Te quero no banho
no quarto, na cama
na mesa, na sala
na biblioteca
no elevador

Te quero invadindo-me
a solidão mórbida
e pondo-me em órbita
eu te quero um lindo
disco voador

Te quero na última
estação da vida
tão ou mais querida
leda, diva e lúcida
só por um fio

Na última hora
do último dia
na noite mais fria
e um dia na história
te quero, viu?

No bosque, bar, gruta
lar, cadeia, parque
guerra, paz, em Marte
na Lua, na puta
que nos pariu






sexta-feira, 13 de abril de 2012

POEMINHA QUE BALANÇA




Confusa
[mente]
Estranha
[mente]

Repentinamente]

Desesperada
[mente]

Assustadora
[mente]

Imagine
Tantos

“entes”

Que quiser,
Que puder
Por que
No meio disso

TUDO

Num repente o

VAZIO
Toma conta
E ficamos
Sem saber
Como
Ou quando

E então...

Quando pensamos que nos acostumamos

O TUDO
Transborda,
Preenche,
E nos assusta.

Estranhamente
Repentinamente
Desesperadamente
No balanço das horas...

[É o que não podemos escolher tudo ao mesmo tempo]



Malucos se identificam entre si, basta um olhar. Malucos são desassossegados, são bacanas, são belezas... O Poeminha que Balança foi criação da Margoh Werneck depois de um papo só um papo librianamente maluco entre nós duas. Vale dizer que a parte maior dessa maluquice toda, cabe a ela, obviamente. Por que eu sou pura serenidade... Né?


domingo, 11 de março de 2012

Estética ou “Estética”?



                Hoje em dia no mundo capitalista dá-se uma grande relevância a uma coisa chamada “estética”, talvez até uma importância exacerbada, exagerada e desmerecida nessa proporção. Digo isso em relação a essa falsa estética, que nada tem a ver com o verdadeiro sentido de estética que vem do grego “sensação” ou “percepção”, ou do latim “é ética”. Temos hoje em dia um conceito errado de estética.  Especialmente para Platão, Aristóteles e Plotino - a estética era estudada fundida com a lógica e a ética. O belo, o bom e o verdadeiro formavam uma unidade com a obra. A essência do belo seria alcançado identificando-o com o bom, tendo em conta os valores morais.

                Na Idade Média  surgiu a intenção de estudar a estética independente de outros ramos filosóficos. Mas por que isso foi mudado na Idade Média? O ser humano começa a perceber que o conceito de belo podia ser empobrecido e vulgarizado, e assim, faria mais sucesso e teria mais adeptos à “estética”, que de estética, só tem o nome. Hoje em dia usa-se muito o termo “sair de moda”, mas só o que sai de moda é o que é edificante, educativo, construtivo, moral e ético. O que é “maldade”, “acultural”, deseducativo, imoral, desedificante e anti-ético, tem uma ascenção muito grande, e portanto nunca “sai de moda”.

                 A verdade é que os seres humanos têm se transformado em seres ocos, ignorantes, e  sem nenhuma cultura, e esta última, por escolha própria, desprezam totalmente uma possivel beleza interior, o que importa é ter “peitão”, “bundão”, um nextel, um carro importado, uma conta na suíça, um número significativo de pessoas insignificantes, assim como ela, no seu facebook, ou algo relevante assim.

                Não importa o que tenha que fazer para conseguir o que se deseja, não importa se alguém será prejudicado, se contribuirá com o progresso da nação, se é significante para a sociedade ou se tem, pelo menos, um pouco de cultura dentro de si, não, nada disso importa, só o que importa é ter o que quiser e o que te dará um maior “ibope”.

Mas o governo se satisfaz com isso, os políticos corruptos, que são maioria, o governo corrompido, a justiça injusta dependem, para se manter, desses que perderam a verdadeira estética, que não acham que a política tem jeito, que esperam do outro a mudança, que se importam com coisas banais, que se esforça apenas para ter, e nunca para ser. Para que apenas fazendo promessas mesquinhas ou negociamentos desonestos  consiga se eleger, reeleger e depois mandar um “cria” para ocupar o seu lugar, e depois de 4 anos, se eleger de novo.

Pense bem, onde está sua beleza? Com qual estética tem se preocupado, a verdadeira ou a falsa? O que você é para a sociedade? O que você quer ser para a sociedade? Pense bem, talvez você esteja com medo de “sair de moda”, está?

                                                               João Pedro Almeida 





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

OS VERBOS DELA...


Outras palavras não seriam necessárias. Os quereres dela são grandes demais, intensos demais, eu os ouço cá do meu minúsculo quarto, perdido na imensidão do agreste alagoano. Se trata da passarinha frágil e loira, das letras mais fortes desse mundão de Deus que ela tanto ama. Se trata de alguém que sabe, como poucos, dizer os quereres, os pensares, os existires... A pessoa sabe verbalizar. Sou fã:



VÃS VIÉS

Eu sou muito mais do que supõe a sua vã filosofia
Sou muito mais do que dois peitos suspensos no ar
Sou pedra, papel e tesoura
Cortando um dobrado para defender meu lugar
Meu direito de ser e estar
Sou papel embrulhando o estômago
Sou eu quem enjoa o mar
Sou tesoura de picotar o medo
Sou pedra mole em água dura
Dura água de beber que arde
Sou o sim e o não, talvez...
Na minha incerta linha reta de pensar.

(Si Fernandes)