É feito tivéssemos á frente de uma lareira, sorvendo goles de conhaque, entre riso e muita conversa. Sou eu a aluna metralhando o mestre com perguntas tolas. É ele o mestre metralhando a aluna com perguntas as quais disfarço saber responder.
Seguiu-se a madrugada, cantada por Bob Dylan e Moska, os quais eu e ele temos escutado respectiva e compulsivamente. Ele gosta da voz cheia de lamento do Dylan. Eu vivo um caso de amor intenso com o Moska.
E no meio da madrugada surge a poesia, como se em alguma fagulha de tempo o houvesse abandonado. Cito Augusto dos Anjos após me deparar casualmente com ele pela rede afora. Ele gosta. Gostou ainda mais na adolescência, onde devorava, faminto, os poemas do sujeito que teve tão pouco tempo para pichar versos cortantes nas paredes do mundo. Preferi não pesquisar mais sobre o poeta, pelo menos não por enquanto. Nas horas das suas explanações é onde embarco, sem prévia passagem de volta, para o inebriante mundo da poesia.
Madrugada estampada. Música, poesia, Moisés Poeta e eu, compomos um breve e prazeroso ensaio.
Quando sem querer ele começou a
poetizar, não sabia que umas asas transparentes lhe haviam já nascido faz
meses...
Foi só quando naquela noite em
que choveu uma chuva feita de lágrimas de fel, que no desespero de não se
querer molhar, ele percebeu que voava...
O anseio de não ser triste
deu-lhe o impulso que faltava e saindo a voar aos tropeções borboleteou sem consciência
da metamorfose que o tomara...
Era a mais linda borboleta feita
de reclusão e introspecção, voava se afastando da floresta ácida, desses
troncos retorcidos de tanta insensatez...
Cortara os dedos enquanto
construía o seu voar e as feridas haviam cicatrizado deixando seu tacto mais
sensível à pele.
Agora, aqueles cuja pele seus
dedos tocassem, simplesmente se converteriam a tanta sensibilidade palpável...
Em estado de espanto passava
agora rasando as copas das acácias floridas;
os pardais e os chiricos em
sobressalto abriam os bicos incrédulos, não porque tivessem sede, mas perdidos
de admiração.
A poesia derramava-se no
horizonte em cores vivas e as rimas essas estavam dispersas, mas para ele o que
contava era a leveza de sentir o momento todo seu...
A vida cantada soava nos seus
ouvidos como um concerto de flautas...
A brisa batendo-lhe de frente
fazia que seus olhos se achinassem, e sorrindo sibilava...
(Tony Manna)
O texto acima é dele. A postagem
original, lá no Melomaniako, era musicada por quatro vídeos de música
brasileira, pelo qual o moço é apaixonado. Às vezes penso que ele é mais brazuca
do que eu... Subverti a montagem do post escolhendo outra canção e o desafio a
dizer que já havia escutado. E agora, Senhor Tony? Zé Ramalho e Moska (o
segundo, por quem nutro amor incondicional) cantam para você. Apenas se deixe
levar... Apenas viaje. Quero dizer da imensa alegria que é compartilhar música,
palavra, afeto, amizade contigo. Obrigada!
[É o que não podemos escolher tudo ao mesmo tempo]
Malucos se identificam entre si, basta um olhar. Malucos são desassossegados, são bacanas, são belezas... O Poeminha que Balança foi criação da Margoh Werneck depois de um papo só um papo librianamente maluco entre nós duas. Vale dizer que a parte maior dessa maluquice toda, cabe a ela, obviamente. Por que eu sou pura serenidade... Né?
Hoje em dia no mundo capitalista dá-se uma grande relevância a uma coisa chamada “estética”, talvez até uma importância exacerbada, exagerada e desmerecida nessa proporção. Digo isso em relação a essa falsa estética, que nada tem a ver com o verdadeiro sentido de estética que vem do grego “sensação” ou “percepção”, ou do latim “é ética”. Temos hoje em dia um conceito errado de estética. Especialmente para Platão, Aristóteles e Plotino - a estética era estudada fundida com a lógica e a ética. O belo, o bom e o verdadeiro formavam uma unidade com a obra. A essência do belo seria alcançado identificando-o com o bom, tendo em conta os valores morais.
Na Idade Média surgiu a intenção de estudar a estética independente de outros ramos filosóficos. Mas por que isso foi mudado na Idade Média? O ser humano começa a perceber que o conceito de belo podia ser empobrecido e vulgarizado, e assim, faria mais sucesso e teria mais adeptos à “estética”, que de estética, só tem o nome. Hoje em dia usa-se muito o termo “sair de moda”, mas só o que sai de moda é o que é edificante, educativo, construtivo, moral e ético. O que é “maldade”, “acultural”, deseducativo, imoral, desedificante e anti-ético, tem uma ascenção muito grande, e portanto nunca “sai de moda”.
A verdade é que os seres humanos têm se transformado em seres ocos, ignorantes, e sem nenhuma cultura, e esta última, por escolha própria, desprezam totalmente uma possivel beleza interior, o que importa é ter “peitão”, “bundão”, um nextel, um carro importado, uma conta na suíça, um número significativo de pessoas insignificantes, assim como ela, no seu facebook, ou algo relevante assim.
Não importa o que tenha que fazer para conseguir o que se deseja, não importa se alguém será prejudicado, se contribuirá com o progresso da nação, se é significante para a sociedade ou se tem, pelo menos, um pouco de cultura dentro de si, não, nada disso importa, só o que importa é ter o que quiser e o que te dará um maior “ibope”.
Mas o governo se satisfaz com isso, os políticos corruptos, que são maioria, o governo corrompido, a justiça injusta dependem, para se manter, desses que perderam a verdadeira estética, que não acham que a política tem jeito, que esperam do outro a mudança, que se importam com coisas banais, que se esforça apenas para ter, e nunca para ser. Para que apenas fazendo promessas mesquinhas ou negociamentos desonestos consiga se eleger, reeleger e depois mandar um “cria” para ocupar o seu lugar, e depois de 4 anos, se eleger de novo.
Pense bem, onde está sua beleza? Com qual estética tem se preocupado, a verdadeira ou a falsa? O que você é para a sociedade? O que você quer ser para a sociedade? Pense bem, talvez você esteja com medo de “sair de moda”, está?
Outras palavras não seriam necessárias. Os quereres dela são grandes demais, intensos demais, eu os ouço cá do meu minúsculo quarto, perdido na imensidão do agreste alagoano. Se trata da passarinha frágil e loira, das letras mais fortes desse mundão de Deus que ela tanto ama. Se trata de alguém que sabe, como poucos, dizer os quereres, os pensares, os existires... A pessoa sabe verbalizar. Sou fã: